A
calcificação patológica constitui um processo mórbido de origem nas
alterações metabólicas celulares. Essas alterações induzem a uma
deposição anormal de sais de cálcio e outros sais minerais
heterotopicamente, ou seja, em locais onde não é comum a sua deposição.
Em outras palavras, a calcificação patológica é assim definida por se
localizar fora do tecido ósseo ou dental, em situações de alteração da
homeostase e da morfostase.
O mecanismo das calcificações patológicas segue o mesmo princípio das
calcificações normais, ou seja, sempre deve se formar um núcleo inicial,
principalmente de hidroxiapatita, que no caso é heterotópico. Esse
núcleo pode, por exemplo, iniciar-se nas mitocôndrias, sede celular dos
depósitos normais de cálcio na célula, quando esta entra em contato com
grandes concentrações desse íon no citosol ou no líquido extracelular.
Dependendo
da situação envolvida em cada alteração funcional ou morfológica do
tecido, podem-se distinguir três tipos de calcificação heterotópica:
distrófica, metastática e por calculose (ou litíase).
ALSIFICAÇÃO DISTROFICA
Incrustração de sais em tecidos previamente lesados, com processos regressivos ou necrose.
Os cristais de
fosfato de cálcio depositados nas calcificações patológicas são
similares à hidroxiapatita do osso. A deposição ocorre em duas etapas:
iniciação (ou nucleação) e proliferação (ou crescimento). A nucleação é a
acomodação dos hexágonos de hidroxiapatita na intimidade da molécula de
colágeno ou de osteonectina. A fase intracelular da nucleação ocorre
nas mitocôndrias de células mortas ou lesadas. A fase extracelular
ocorre em estruturas denominadas "vesículas da matriz", - organelas
extracelulares que têm composição e atividade enzimática distinta das
membranas plasmáticas que lhes deram origem. Possuem 25 a 250 nm de
diâmetro e são originadas de células degeneradas ou necróticas, na
vizinhança da área de calcificação. Fosfolipídios ácidos presentes
nessas vesículas, principalmente a fosfatidilserina, agem como
captadores e precipitadores de cálcio. Além disso, fosfatases também
presentes nessas vesículas parecem reprimir os mecanismos inibitórios da
precipitação dos sais, representados pelos pirofosfatos e
proteoglicanos. A proteólise destes aumenta a formação da hidroxiapatita
por permitir maior mobilidade de íons, facilitando a saturação dos
fluidos extracelulares. A etapa de proliferação do núcleo é a progressão
autocatalítica da deposição dos sais e é influenciada por múltiplos
fatores extracelulares, tais como: cálcio, fósforo e fosfatase alcalina,
análogos da osteocalcina, osteopontina, pH do tecido, vitamina D,
balanço hormonal, suprimento sangüíneo e solução de continuidade de
tecidos moles.
Fonte: fofocaspatologicas. http://fofocaspatologicas.blogspot.com.br/2009/08/calcificacao-patologica.html
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