O câncer é uma doença genética, caracterizada pela proliferação local descontrolada de células anormais,
com invasão de estruturas normais adjacentes e disseminação à distância ou metástase1-3.
A oncogênese é constituída de inúmeros processos complexos, que envolvem o acúmulo de mutações
no DNA do hospedeiro. Estas mutações levam a alterações na expressão ou função de genes-chave,
proto-oncogenes e genes supressores de tumor, para a manutenção da homeostasia celular. Uma
falha na expressão desses genes acarreta crescimento celular desordenado. As células malignas
são identificadas por sua ausência de respostas a impulsos que regulam o crescimento, causam diferenciação e suprimem a sua proliferação4-6. A etiologia do câncer está relacionada à interação
entre fatores endógenos, como os genéticos, e ambientais. Dentre os fatores ambientais, destacamse
a exposição à radiação, o uso de tabaco, a ingestão de álcool, a obesidade, o sedentarismo e o
consumo de nitritos e nitratos7,8. Por sua vez, a prevenção baseia-se na adoção de hábitos saudáveis
de vida, com a prática regular de exercícios e alimentação saudável, rica em fibras, vegetais e
frutas9. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, um terço da incidência mundial de câncer poderia
ser prevenida10,11. As neoplasias malignas, principalmente aquelas
cujo crescimento é lento, levam maior tempo para serem diagnosticadas, promovendo, conseqüentemente,
alterações catabólicas intensas no hospedeiro. Essas alterações podem culminar em
caquexia, desnutrição que apresenta uma incidência entre 30% e 50% dos casos, podendo estar associada
com aumento da morbimortalidade pósoperatória e menor tolerância aos procedimentos cirúrgicos, quimioterápicos e radioterápicos12.
Transição nutricional e epidemiologia do câncer
Nas últimas duas décadas, tem ocorrido, nos países em desenvolvimento, o processo de transição
epidemiológica e nutricional. Tal processo é caracterizado pela modificação do perfil de morbimortalidade,
com envelhecimento da população, urbanização, mudanças socioeconômicas, alimentares
e no estilo de vida. Dessa forma, verificou-se diminuição das doenças infecciosas e aumento na
prevalência e na incidência de doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer13.
Atualmente as neoplasias apresentam alta incidência mundial, apesar de grandes esforços para
o seu diagnóstico precoce e tratamento7. Em 2005 os óbitos por câncer no mundo somaram 7,6 milhões,
o que representou 13% de todas as mortes. 75% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento.
O câncer de pulmão foi o que apresentou maior mortalidade, seguido pelos tumores de estômago, fígado, cólon e mama11. A incidência prevista para o ano de 2020 é de 16 milhões de casos, dos quais 60% ocorrerão em países de média ou baixa renda14. As estimativas nacionais para os anos de 2008 e
2009 indicam que a incidência de câncer será de 466.730. Entre os tumores, a ocorrência de novos
casos, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma. Serão mais incidentes as neoplasias
de próstata e de pulmão, no sexo masculino, e de mama e de colo do útero, no sexo feminino10.
A distribuição da incidência e da mortalidade por câncer é de fundamental importância para
o conhecimento epidemiológico e outros aspectos, desde etiológicos até os fatores prognósticos
envolvidos em cada tipo específico de neoplasia maligna15,16. Os estudos de mortalidade são muito utilizados para descrição dos padrões de distribuição de câncer devido à dificuldade de aquisição de informações sobre incidência e a alta letalidade de muitas neoplasias. Esses estudos representam parcela
considerável da produção científica na área de epidemiologia e saúde pública, possibilitando
a avaliação de tendências e correlações entre os padrões observados e os fatores ambientais17.
No Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e
Agravos Não Transmissíveis, realizado em 2002 e 2003 em 15 capitais brasileiras e no Distrito Federal,
constatou-se que as capitais das regiões Sul e Sudeste apresentaram os maiores coeficientes de
mortalidade por neoplasia, quando comparadas às capitais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Porém, as últimas apresentaram incrementos maiores ao longo da série temporal13. Manifestações clínicas
As manifestações clínicas do câncer dependem do tipo, da localização do tumor e do estadiamento.
Os sinais e sintomas mais comuns são: perda ponderal progressiva, anemia, anorexia, dor, náuseas,
vômitos e fadiga. Esses sintomas aumentam a morbimortalidade de indivíduos com câncer e prejudicam sua qualidade de vida17-19. A perda de peso involuntária, como conseqüência da presença de um tumor maligno, é um desafio para os portadores de câncer. Diferente da perda de peso intencional em indivíduos saudáveis, a perda de peso involuntária nos pacientes com câncer é associada a um pior prognóstico20.